Houve um barraco no carnaval e, mesmo eu contando o milagre, nem debaixo de vara direi o nome do santo. Ou dos santos, pois que, no acontecido, tinha mais de um.
Figuras bastante conhecidas da nossa altíssima sociedade resolveram se confraternizar durante a folia e, para isso, alugaram bela casa, localizada no cume de famosa praia, de onde se podia vislumbrar o mar azul lá embaixo com seus barquinhos a singrar as águas calmas.
A casa tinha (e ainda tem) cinco belas suítes, três salas, ampla cozinha americana, um terraço de quatro águas, a piscina enorme que dava para abrigar a todos e, com um detalhe, cada quarto contava com um tanquinho para hidromassagem.
E a folia transcorreu bem até a terça-feira.
Ocorre que, na terça, quando o teor alcoólico passou dos gigabytes permitidos pelo Detran, alguém teve a brilhante ideia de reviver o famoso Clube das Chaves, aquele inaugurado aqui na década de 60 por altos executivos e prendadas damas da nossa sociedade, no qual os casais, após reunidos e farrados, trocavam as chaves dos apartamentos e no final cada qual comia a mulher do amigo.
Ideia aprovada por unanimidade, todos jogaram as chaves dos respectivos apartamentos dentro de um bisaco, tendo antes o cuidado de trancar suas consortes nos ditos cujos.
E aconteceu o sorteio.
A corrida dos esfomeados aos quartos onde os aguardavam as novas emoções foi igual àquela de Airton Sena perseguindo o podium, cada um querendo desvendar os segredos da mulher do amigo, uns já de vara acesa, mais avexados do que coelho perseguindo a coelha, quando aconteceu o desastre.
O chamado decano da turma, de calvície generosa e barriga proeminente, quase teve um troço ao abrir a porta e se deparar com a bruaca da esposa aguardando o visitante, nua e em ponto de bala.
Com um berro de “assim não voga!”, o marido logrado desceu as escadas de acesso ao primeiro andar, alcançou a porta da rua e foi avistado, na quarta-feira de cinzas, dormindo abraçado com uma quenga do cabaré de Maria Júlia.
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