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Meu adeus a Terto Morais

8 de junho de 2023

Tertuliano Nunes de Morais, ou Terto Morais, ou Seu Terto como o chamava,  acabou de falecer. Tinha 99 anos e faria 100 anos no dia 9 de setembro.

Foi prefeito de Tavares, suplente de deputado estadual, enfermeiro e parteiro de uma geração de crianças que vieram ao mundo pelas suas mãos num tempo sem médico e sem hospital.

Foi mais que isso, foi o maior líder político da terra que adotou como sua. Nascido em Flores, no Pernambuco, transferiu-se para Tavares onde, ao lado de sua amada Terezinha, fixou residência, criou filhos, viu nascer netos e bisnetos, manteve uma casa de saúde que atendia de graça quem dela precisasse e fazia o bem sem olhar a quem.

Era um homem na exata acepção da palavra. Inteligente, culto, conhecia em detalhes a vida de Luiz Gonzaga e discorria sobre Lampião com detalhes que nenhum escritor famoso jamais o fez.

Boêmio, adorava um uísque e um cachimbo e amava ter em torno de si uma roda de amigos para escutar a sua prosa.

Era meu amigo. Devo-lhe atenções impagáveis.

Toda vez que chegava em Princesa, recebia sua visita. Ia me ver e trocar ideias.

Esteve ao meu lado nas horas de dor profunda. No velório do meu pai foi um dos primeiros a chegar. No da minha mãe também. Nunca me negou um abraço.

Nos tempos de jovem, quando a Tavares eu ia  e esquecia de voltar, tinha sempre uma cama ao meu dispor.

Fui e sou amigo desse homem incomparável. Dele e dos filhos Tenório, Thiago e Morais.

E estou escrevendo estas linhas com o peito trancado por uma dor que não sei descrever.

– Ah, ele já estava perto dos cem anos-, alguém poderia dizer.

Mas gente como Terto Morais era para viver eternamente.

Terto jamais envelheceu.

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