opinião

No meu tempo era diferente

16 de julho de 2019

Quando Frutuoso Chaves me ensinou as poucas linhas que sei sobre jornalismo, fez questão de frisar que o título de cada matéria era tirado do primeiro parágrafo, o lead como se chamava nas redações daquele tempo. Tirar uma manchete lá do rabo da gata não era normal e também não era preciso, porque o redator chamava para a parte de cima o mais importante da notícia, deixando os demais parágrafos para os detalhes, o enchimento de linguiça.

De uns tempos para cá esses princípios foram jogados na lata do lixo.

Vemos manchetes escandalosas chamando a atenção do leitor e quando botamos os olhos no texto não tem nada daquilo que foi escandalizado.

Agora mesmo, diz uma manchete que o Ministério Público deu parecer pela liberdade de todos os envolvidos na Operação Cheque Mate, menos para o empresário Roberto Santiago.

Fui ver os motivos que teriam levado os promotores a pareceres tão diversos e nada encontrei. Não havia uma só menção a esse fato. Dizia-se apenas que os réus que já prestaram depoimento poderão ganhar liberdade vigiada e que a mesma medida será estendida aos demais ainda pendentes do depoimento ao juiz de Cabedelo.

Mas de repente eles estão certos e eu errado.

Sou do tempo antigo e não me familiarizei ainda com as novas técnicas do jornalismo.

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