A imagem que guardo de Doutor Nestor Alves de Melo é a daquele voto em que tudo parecia perdido e ele nos salvou, a mim e a outros Procuradores ameaçados de demissão por causa de uma ação popular movida pelo ex-deputado Luiz de Barros para anular nomeações de Procuradores do Estado pelo Governo Burity.
Estávamos numa maré de azar. A ação popular avançava e o governador da época, com raiva de alguns Procuradores, botou os outros na berlinda e determinou ao Procurador Geral do Estado que peticionasse nos autos comunicando que o Estado não tinha mais interesse na demanda.
Nos deixou ao léo, sem eira nem beira, sem advogado de defesa, sem nada.
Nos juntamos, fizemos uma vaquinha e contratamos os serviços de Ianko Cirilo, mas a crença de que estávamos perdidos era maior do que a esperança.
Veio o julgamento por uma das câmeras cíveis da Capital. O relator votou pela anulação dos atos e o imediato afastamento dos nomeados, o segundo voto seguiu a linha do relator, se terminasse três a zero seríamos afastados no mesmo dia, não havia reza que nos salvasse, mas aí veio o voto de Doutor Nestor a nosso favor.
Ainda lembro quando ele disse: “Se alguém merece responder por isso é quem praticou o ato, jamais os que, de boa-fé, assumiram os cargos e estão prestando relevantes serviços ao Estado até hoje”.
Ficamos nos cargos, respondendo ao processo, mas recebendo os nossos salários. Mais tarde o autor da ação morreu, ninguém se candidatou a substitui-lo e tudo terminou em paz, graças a Doutor Nestor Alves de Melo, que hoje nos deixou para morar no céu ao lado de Jesus.
1 Comentário
Imagino os procuradores morrendo de medo de perder uma ação judicial.