– Na minha casa esse aí só entra depois que eu colocar cinto de castidade na mulher e nas meninas – avisou João de Eufrásio para o portador do recado. Wilson Buchim vinha avisar que o vereador Sinésio de Genésio iria visitá-lo e com ele comer um cupim de boi, mas João de Eufrásio, ressabiado com os últimos acontecimentos, achou melhor se prevenir.
-Eu mesmo vou recebê-lo com o cu encostado na parede. Seguro morreu de velho.
A fama de Sinésio ganhou manchetes, atravessou pontes, encheu os noticiários, virou tema de fofoca.
Desde que passou nos peitos a viúva do seu antigo colega de Câmara, Nestorzinho do Serrado, misteriosamente afogado nas águas do Açude Macapá, passara a ser chamado de garanhão. O corpo do homem ainda estava quente e Sinésio consolava a viúva ao seu jeito amantíssimo.
– Isso é intriga da oposição, inveja dos despeitados -, tentou defender Wilson, ao que João sugeriu: – Se é assim, manda tua mulher dar colher de chá a ele”.
Pelo sim, pelo não, Buchim achou melhor calar o bico porque ele próprio presenciara o barraco da conje enganada, após tomar ciência das últimas peripécias do seu canibal, que de uma leva só comeu a esposa do guarda noturno, a assessora do carcereiro da cadeia pública e a mulher do presidente do Centro Comunitário.
– É um guloso -, encerrou João de Eufrásio enquanto fechava a porta, punha o ferrolho e se garantia ainda mais encostando uma trave de angico na janela.
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