Por Flávio Lúcio

Você escutou o áudio em que o nome de Luiz Fux, ministro do STF, é citado em uma conversa entre o ex-governador Ricardo Coutinho e Daniel Gomes da Silva?
Se escutou, não deve ter encontrado razão para a escandalização que parte da mídia está fazendo, num esforço quase desesperado para desviar o foco de outros personagens que foram envolvidos recentemente na delação de Livânia Farias.
No áudio, Ricardo Coutinho e Daniel Gomes da Silva conversam sobre a chamada Aije Fiscal, que tramitou no TSE depois de ter sido rejeitada pelo TRE da Paraíba.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral contestava a concessão de isenção de créditos tributários sobre ICMS, isenção e/ou redução de IPVA, de taxas do Detran e do programa Gol de Placa, em 2014.
O relator da ação no TSE, ministro Napoleão Nunes Ferreira votou pela improcedência da Aije e foi acompanhado pelos ministros Jorge Mussi, Admar Gonzaga Neto, Tarcísio Vieira de Carvalho, Rosa Weber, Roberto Barroso e, por fim, pelo então presidente da Corte, Luiz Fux.
Pois bem, na conversa Daniel Gomes de Silva diz que tem contatos com o desembargador do TJ do Rio, Antônio Carlos Amorim, e através dele tentaria fazer contatos com Luiz Fux, que também é do Rio de Janeiro, e que, através dele, poderia ajudar no convencimento do ministro. Nada mais. Inferir que isso, por si só, é razão para implicar ministros do TSE é de uma leviandade sem tamanho.
Veja a maneira sensacionalista como, por exemplo, o site Polêmica Paraíba, do jornalista Gutemberg Cardoso, tratou o áudio.
Notem a covardia do “até ministro do STF pode estar envolvido“. O que o áudio prova, além de uma suposta proximidade que o tal Daniel diz ter com um desembargador que seria amigo de Luiz Fux, que também foi desembargador do TJ do Rio de Janeiro antes de virar ministro do STF? E os outros ministros, que rejeitaram a Aije, também estão sob suspeita?
Esse é um exemplo do mau jornalismo, desse sensacionalismo irresponsável que não mede esforços para servir à causas obscuras que pretendem solapar a confiança do sociedade em suas instituições.
Que fique claro. Não estamos aqui a defender que seja colocar debaixo do tapete maus feitos de quem quer que seja, mas um tratamento responsável para assuntos tão delicados, que envolve a honra e a credibilidade não apenas de indivíduos, mas de instituições caras a nossa democracia.
Eu quero ver é se aparecerem áudios de Daniel Gomes da Silva tratando sobre e com “jornalistas”.
3 Comentários
“ Aqui é o oeste senhor. Se a lenda for maior do que o fato publique-se a lenda “
Frase de John Ford no filme O Homem Que Matou o Facinora!”
Podemos parodiar:
Aqui é a Paraíba senhor. Se a lenda for maior do que o fato, publique-se a lenda!”
A SECON está existindo pra que?a turma tem que aproveitar a onda,como dizia Juca Chaves eles tem que comerem caviar.
Ainda voto em Ricardo…